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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A importância da alimentação e da hidratação para um bom desempenho no golfe


Tanto em repouso quanto em exercício, nosso organismo se utiliza de substratos para a obtenção de energia. São os carboidratos, as gorduras e as proteínas que nos fornecem a energia necessária para mantermos as atividades celulares. O tipo de substrato que o nosso organismo prioriza como fonte de energia depende de vários fatores como intensidade, duração e tipo de atividade.

O golfe é um esporte considerado de baixa intensidade e de longa duração. Não há como questionar que realmente é um esporte de longa duração, mas quanto a intensidade, existem inúmeros fatores que os golfistas ficam expostos e que podem gerar um aumento direto ou indireto na intensidade. Alguns exemplos são: condições climáticas (calor ou frio intenso, chuva, vento), tipo de terreno (campos montanhosos ou planos) e a própria tensão da decisão de um título.

Vou falar um pouco da importância da manutenção da glicemia durante uma partida de golfe mostrando como a alimentação pode afetar positiva ou negativamente o desempenho de um golfista. A glicose é a nossa principal fonte de energia e é gerada a partir dos carboidratos que consumimos: pães, massas, frutas, mel dentre outros. Quando estamos em repouso, os carboidratos que nós ingerimos vão ser convertidos em glicose e armazenados no fígado e nos músculos sobre a forma de glicogênio. Quando necessitamos de energia, esse glicogênio é novamente convertido em glicose e vai para a corrente sanguínea para ser transportado para os músculos ativos. Se estivermos em exercício, normalmente os carboidratos consumidos serão transformados em glicose que será diretamente transportada para os tecidos ativos onde será utilizada para gerar energia.

A glicose é importante não só para os músculos mas também para o cérebro. Enquanto nossas células musculares têm a capacidade de utilizar os carboidratos, as gorduras e as proteínas como fonte de energia, nossos neurônios se alimentam quase que exclusivamente de glicose. (cerca de 90%). Por isso podemos dizer que o sistema nervoso só funciona adequadamente com a presença de carboidratos. O golfe é um esporte que exige muita concentração, se o cérebro não estiver recebendo um aporte suficiente de glicose para nutrir suas células, com certeza isso afetará negativamente o desempenho do golfista. Algumas conseqüências de uma queda nos níveis de glicemia são:

  • Fadiga muscular;
  • Dificuldade de concentração;
  • Fraqueza;
  • Desorientação;
  • Desmaios
Todos esses fatores vão afetar o jogo negativamente. Para evitar que isso aconteça, o golfista deve ter uma  alimentação antes e durante a competição que mantenha constante e ideal o nível de glicemia. Alimentos de difícil digestão como os ricos em gordura devem ser evitados pois levam várias horas para serem digeridos e pode prejudicar o desempenho devido ao desvio do fluxo sanguíneo da musculatura ativa para digestão. Alimentos “pesados” acabam gerando uma competição entre a musculatura e o sistema digestivo pelo fluxo sanguíneo e acaba que nenhum dos dois funciona adequadamente.

Por isso devemos estar atentos à boa alimentação que é um fator que afetará diretamente o desempenho do golfista podendo ser a diferença entre o campeão e o vice-campeão.

Por: Melinda Macfarlane

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Nutrição adequada a praticantes de golfe

Muitos golfistas não estão bem informados quanto às características e especificidades da modalidade. Como muitos deles são amadores e apenas praticam golfe ao fim-de-semana ou nos feriados, não têm conhecimento nem sobre os cuidados a ter nem sobre a alimentação adequada à prática da modalidade.

Se para si o golfe for apenas uma “actividade de fim-de-semana”, a parte da nutrição se calhar não afectará muito o seu jogo. Pelo contrário, se está em competição e as vitórias realmente são importantes para si, a componente da nutrição é indispensável ao seu conhecimento. Muitos golfistas desconhecem que a hidratação é super importante para a saúde do atleta.

Um jogo de golfe pode durar até 5 horas, daí a necessidade de beber água regularmente. No entanto, a partir das 3 horas de competição, o consumo apenas de água passa a não ser suficiente para uma hidratação eficaz. Há atletas que consomem álcool e cafeína durante os torneios, mas isso também não é aconselhado uma vez que estes produtos são potentes diuréticos (estimulam a excreção urinária), acabando por contribuir para a desidratação.

As necessidades nutricionais de praticantes de golfe

Em Junho de 2008, um investigador da Faculdade de Ciências da Educação da Universidade de Vigo, em Espanha, e um investigador da Universidade Lusófona do Porto, em Portugal, publicaram um trabalho que avaliava os hábitos alimentares dos jogadores seniores de golfe [*1].

Os investigadores caracterizaram os hábitos alimentares de 160 jogadores, de idade média de 58 anos, em 45 campos de golfe. Os jogadores foram avaliados momentos antes da competição e foram determinadas variáveis como o peso, a estatura e a envergadura. Foram também aplicados cardiofrequênciometros durante a volta.

Algumas das coisas que concluíram:

- Os glícidos são um nutriente primordial para os jogadores, devendo estar presente em quantidades significativas na sua dieta alimentar (5-12g/kg/d).

- A nível proteico, os jogadores não necessitam de aumentar o seu consumo nos dias de competição, uma vez que os seus hábitos alimentares já superam as recomendações (1,2 a 1,4/7 g/kg/d).

- Relativamente aos lípidos, devem apresentar uma contribuição de cerca 20 a 25% da energia ingerida. - A alimentação no dia da competição deve apresentar especificidades nutricionais, nomeadamente a nível de glícidos e fluidos visando beneficiar o desempenho e a recuperação dos jogadores.

- A ingestão nutricional durante o exercício físico promove a melhoria da performance uma vez que reduz o stress dos sistemas cardiovascular, muscular e nervoso.

- A superfície corporal e a actividade física de um indivíduo determinam as suas necessidades calóricas reais. A massa magra corporal, a taxa metabólica em repouso e a actividade física diminuem com o aumento da idade, pelo que os jogadores seniores deverão reduzir a ingestão calórica, para compensar estas alterações, tendo em atenção que as necessidades dos nutrientes essenciais não diminuem com a idade.

Os investigadores também notaram que a maioria dos jogadores analisados ingeria as quantidades necessárias de vitaminas e minerais, para assegurar as exigências energéticas, através de uma alimentação equilibrada, não precisando de recorrer muito à suplementação. Talvez isto se deva ao facto de os atletas analisados terem todos mais de 50 anos, não estando, à partida, tão expostos ao stress e à azáfama do quotidiano, o que permite controlarem melhor a sua alimentação.

Recordando:

- Hidratos de Carbono (glícidos)

- Proteína

- Lípidos

- Minerais

- Vitaminas

- Água

REFERÊNCIAS OU NOTAS: [*1] – Ferreira de Brito, A.P., & Pereira, R.G., Golfe: os hábitos alimentares dos jogadores seniores, Motricidade Vol.4 – Nº2, Junho 2008